A página da AFE na Europa
(poemafeano.blog.com)
The last farewell
(A últimma despedida)
“Indiscribably blue” (Indescritivelmente triste), para manter o britânico tom do título, e remembrar um clássico do Avatar Elvis, eis como pode qualificar o sofrido torcedor afeano o espetáculo pífio que o seu clube apresentou ontem na melancólica despedida, a última, deste campeonato da A2, cujo desfecho foi ainda mais lamentável e clamorosamente vergonhoso. Infelizmente, certos brasileiros irresponsáveis e corruptos continuam a emporcalhar a imagem de seu país aos olhos do mundo, levando ao estrangeiro notícia de uma terra onde predomina a ignomínia e o descalabro de toda ordem.
Enquanto em São Paulo, no velho estádio da rua Comendador Sousa a Ferroviária exibia as suas chagas de mediocridade, em Sorocaba passou-se algo inacreditável. Eis que, sob os auspícios da influência do execrável reverendo Moon, já expurgado dos Estados Unidos por moto de suas atividades nefastas, o árbitro do jogo disputado entre o Atlético sorocabano e a União Agrícola Barbarense, que vencia por dois a zero até aos 85 minutos, resolveu expulsar três jogadores desta equipa, prolongar o prélio por mais dez minutos e, como o gol de empate, que daria apuramento ao Atlético, não saía, marcar um penalty, batendo sem dúvida o recorde mundial da safadeza instituída em qualquer sítio do planeta. Algo difícil de acreditar. E para completar, ao fim do embate (?), uma confraternização geral entre os atletas em clima de grande festa pela promoção dos dois clubes.
O Audax, time do super mercado, qua atuava contra a Ferrinha, acabou por experimentar o travo amargo da descomunal iniquidade, pois veio a não lograr o acesso em razão do “jabaculê” indecoroso e ridículo, que só nos envergonha, a todos nós, brasileiros, sobretudo os que estão fora da nação, via de regra obrigados a ouvir piadas sarcásticas sobre a sua terra, muitas vezes qualificada como a “república das bananas”. Diante de tais fatos, convenhamos, com razão.
Quanto ao jogo, pouco a dizer, até porque quase nada se viu deste time afeano, que escapou, isto sim, de levar outra goleada histórica, tal foi o ascendente dos “audacianos” que, como já dizíamos no comentário ao primeiro jogo desta fase realizado na Arena da Fonte, são tecnicamente muito superiores aos grenás. Chegaram aos dois a zero no primeiro tempo, em razão de duas pífias colossais, a primeira do Daniel a perder uma bola em zona de meio campo, acrescida da atitude dos defesas que simplesmente “cercam o Lourenço” e assim dão espaço aos avançados rivais; a segunda, oriunda de uma indecisão entre o complicado e ineficaz Emerson (e insistem com ele) e o indeciso goleiro Everton, no qual enxergam alguns uma excelência que eu, sinceramente, não vejo. Na segunda etapa, obtiveram mais um gol, consequente de outra “mancada” do Emerson, sucedida de falha no setor esquerdo da defesa, que não acompanhou o rápido atleta Danilo, vencido pela sua (dele) velocidade. E massacraram (este é o termo devido) a equipe afeana quase todo o tempo, enviando duas bolas aos ferros e desperdiçando um “camião” de gols, sucessivamente. Por castigo de sua ineficácia nas conclusões, acabaram por sofrer um gol, de penalidade máxima, que o seu goleiro cometeu sobre o Jobinho, desnecessariamente a nosso ver, pois dificilmente o “player” grená ocasionaria males maiores. Convertido o castigo pelo nosso atleta Ricardinho, o placar fixou-se como suficiente para que o macabro apitador de Sorocaba “desse um jeito” para apurar o Atlético, numa abominável manobra que, a nosso ver, deveria ser investigada pela nossa espartana Polícia Federal, posto que a tal tem suficiente provimento.
E pronto, foi a derradeira despedida deste campeonato, que nos deixa mais uma vez “a ver navios” agora em pleno asfalto da paulicéia. Outro ano na fila, ou na bicha, como aqui se diz; a fila ou a bicha da “segundona”. Enquanto isso, sobem União Barbarense, Atlético Sorocaba, São Bernardo e o arrabaldino Penapolense, com seu estádio de quatro mil lugares, a ser talvez ampliado com as eventuais bancadas de um circo itinerante qualquer. Todavia, devemos dar-lhes os nossos parabéns, eis que souberam pugnar pelos seus interesses. Já dizia o divino Mestre Jesus, na expressão do apóstolo Mateus Levi (11/12) que “O Reino dos céus sofre violência, e os que usam de audácia o tomam de assalto”. Nesta linha de pensamento, julgamos, salvo melhor juízo, que enquanto a Ferroviária não demonstrar a potência de sua audácia, a reivindicar seus lídimos direitos e sua ambiciosa, porém justa pretensão, pois já esteve por quarenta anos entre os grandes e alverga a tradição que poucos possuem, enquanto não se impuser com firmeza e convicção, há de permanecer na fila, à espera de seu d. Sebastião salvador. Para dar um toque de humor final a este melancólico desfecho, eis que tristezas não pagam dívidas, como se diz, este quadro nos faz lembrar uma deliciosa “modinha” de um Carnaval passado, “O Cordão dos puxa-sacos”, quando a sua letra assinala: “Quem está na frente, vai ficando para trás, e o cordão dos puxa-sacos cada vez aumenta mais”. Destarte, novamente a nossa AFE, chegou-se à frente e é passada para trás, na fila da “segundona”. Até quando?
1X3 ao Audax
(The last farewell)
Em dia de arranjo escandaloso
Que do país derroca a seriedade,
Despediu-se com pífia atividade
Do campeonato a AFE, assaz doloso:
Seguindo o triste rumo e tormentoso
Que a levou a visível veleidade,
Perdeu de novo, e quase na verdade
Deu-se a outro vexame clamoroso.
Está dos candidatos novamente
Na fila, que aspiram promoção
Um ano a mais, entre os que vão à frente;
E enquanto demonstrar pouca ambição,
Parco grifo de audácia, brio ausente,
Verá remota tal aspiração.
Antonio Carneiro (Bélier)
V.N.Gaia _ portugal
30/04/2012
http://www.youtube.com/watch?v=IXGD04A7BSM